Leituras de outubro/21

Breves resenhas:

Civilização – Niall Ferguson

Livro muito interessante (que merece uma resenha mais detalhada inclusive). Nele o autor se propõe a explicar quais foram os elementos que diferenciaram a civilização ocidental das demais civilização humanas. Só por curiosidade os elementos citados são: a competição, a ciência, o direito de propriedade, a medicina, o consumo e a ética do trabalho. Assim que possível escreverei essa resenha com mais detalhes.

As Seis Lições – Ludwig Von Mises

Livro com transcrições de palestras do Mises que foram proferidas na Argentina. O livro é bem curtinho, cada lição é uma palestra. Acho que pode ser interessante pra introduzir temas de economia. Fora a frase “Idéias e somente idéias podem iluminar a escuridão.” (que é uma baita frase embora não sei se eu concordo totalmente com ela) me chamou atenção o trecho abaixo falando de Van Gogh.

Acho que esse exemplo resume bem a ideia de que em um sistema socialista com planejamento central a maioria das pessoas seria alocadas em tarefas na qual não ia gostar de desempenhar. Obviamente que a quantidade de defensores desse sistema só se explica pelo fato de que os defensores possivelmente se imaginam que nesse sistema elas seriam pessoas muito importantes e influentes e não uma pequena peça no sistema.

X-men #1 de Jonathan Hickman

Finalmente parei pra ler o X-men de Hickman e putzgrila, que leitura incrível. Tinha lido muitas resenhas positivas e mesmo assim a expectativa foi atendida. Super-heróis e ficção científica, duas coisas que eu adoro. Não vou demorar pra ler o #2.

Demolidor – Amor em vão

Que capa incrível meus amigos. David Mazzucchelli está voando baixo nessa arte da capa e na edição em geral. Embora as histórias tenham roteiros bem competentes, especialmente do Denny Oneil, o destaque da edição realmente fica pela arte do Mazzucchelli que desenha a maioria das edições.

Lanterna Verde – Procurado

Geoff Johns escreve de forma bem competente o Lanterna Verde em um arco que serve pra esquentar as coisas pra Guerra dos Lanternas Amarelos. Conta também com uma arte bem legal de Ivan Reis e Daniel Acuña.

Tropa dos Lanternas Verdes: O Lado Negro do Verde

Histórias divertidas da Tropa dos Lanternas Verdes. Gostei especialmente do primeiro arco, que dá nome a edição, “O Lado Negro do Verde”, que mostra uma divisão “black ops” da Tropa dos Lanternas.

Superman – A morte do Superman

Sempre tive curiosidade pra ler esse arco e putzgrila, às vezes é melhor ficar só na curiosidade mesmo. Até tem umas cenas boas de ação mas a história tem um fiapo de roteiro. Um super-vilão novo aparece do nada, massacra a Liga da Justiça e morre (ao mesmo tempo mata o Super-homem). Puro suco dos anos 90 nos quadrinhos. Pra completar ainda peguei uma edição que teve algum problema de impressão que fez as cores ficarem invertidas em uma história no meio da edição. Como eu tinha deixado fechada na estante por um bom tempo fiquei encabulado de trocar na Amazon (depois entendi o porquê do baita desconto no preço). Então o Super-homem virou um tipo de Super Brasileiro, com cores verdes e amarelas.

Authority #3 (esqueci de botar na foto)

Authority é sempre divertido mas essa edição não tem Warren Ellis nos roteiros e Bryan Hitch nos desenhos então a queda de qualidade é perceptível 🙁

[Resenha] O caminho da servidão

Capa do livro - O caminho da servidão
Capa do livro – O caminho da servidão

Antes de falar especificamente do livro, é preciso uma breve recapitulação sobre o contexto em que o mesmo está inserido. Hayek foi um economista ligado à escola Austríaca sendo aluno de Mises (que é um nome que ultimamente tem sido mais divulgado).

Para quem é, como eu, estudante originario das ciências exatas, o conceito de “escola de pensamento” não é tão claro, por isso sugiro que assistam o vídeo abaixo onde Hélio Beltrão, do Instituto Mises Brasil explica melhor esse conceito e faz uma introdução à escola austríaca.

Hayek ganhou o prêmio Nobel de economia em 1974 por “por seu trabalho pioneiro na teoria da moeda e flutuações econômicas e pela análise penetrante da interdependência dos fenômenos econômicos, sociais e institucionais”¹. Entretanto, sua obra mais famosa (“O Caminho”) não tem relação direta com o prêmio. “O Caminho da Servidão” é um tratado que também abrange filosofia e política.

Publicado em 1944, a obra surgiu pela preocupação de Hayek com o caminho que a Inglaterra estava tomando no pós-guerra. Segundo ele, algumas medidas em prol da centralização econômica haviam sido tomadas, inclusive em função da própria guerra, e estavam levando o país para caminhos que o aproximavam dos governos socialistas e principalmente fascistas. A obra teria surgido portanto para tentar evitar que a Inglaterra trilhasse “O Caminho da Servidão”.

Eu cheguei no livro pois estava interessado em começar a estudar mais sobre a Escola Austríaca. Dentre os vários livros que o Instituto Mises disponibiliza gratuitamente no seu site fiquei um pouco em dúvida por qual começar porém resolvi ler “O Caminho” depois que dois amigos comentaram comigo que estavam lendo o livro também. O mais interessante é que nós três não planejamos isso e chegamos à Hayek de maneira espontânea.

Sobre o livro em si. Admito que no começo achei a leitura um pouco chata, mas depois que me acostumei com o estilo de escrita de Hayek comecei a aproveitar melhor a leitura.

A idéia central do livro é que a determinação de controlar certos aspectos do livre mercado acaba gerando uma espécie de ciclo vicioso na qual as liberdades individuais acabam se perdendo gerando um sistema totalitário. O livro então é um tratado que explica o porquê e como isso acontece.

Em um certo momento do livro decidi fazer um fichamento capítulo à capítulo caso desejasse consultar a obra posteriormente, por isso seguem alguns comentários específicos sobre os capítulos e que começam no 7. Quem sabe no futuro eu atualizo a resenha com comentários sobre os demais capítulos. Notem que eu recomendo a leitura da obra como um todo e nesse aspecto os primeiros capítulos são a base para os demais.

Capítulo 7 – Aqui Hayek fala sobre a relação entre a liberdade econômica e as liberdades individuais e a importância da primeira. Fala que a perca da liberdade econômica implicará em um sistema totalitário.

Capítulo 8 – Fala sobre a justiça em um sistema capitalista e um sistema socialista. Qual seria mais justo? Como dividir as coisas? No final do capítulo fala sobre como o fascismo emergiu a partir do socialismo, ou melhor das classes que não se viram representadas pelos trabalhadores e queriam uma divisão diferente da sociedade. Também falha que se removermos os incentivos econômicos, restará o incentivo da violência e nesse caso se a falha de um indivíduo não o leva a falência o fará andar próximo da morte em todos os momentos.

Capítulo 10 – O nome desse capítulo é ótimo: “Por que os piores chegam ao poder” – Explica porque em um sistema com planejamento central as pessoas que irão prosperar na hierarquia de poder provavelmente são as que menos possuem escrúpulos.

Capítulo 11 – Essa capítulo fala sobre como os regimes totalitários precisam eliminar críticas a fim de não perderem força. Mais um incentivo à violência.

Capítulo 12 – Esse capítulo fala sobre de onde vem as ideias do Nacional Socialismo. Inclusive sobre isso vale o comentário de que Hayek explica que o livro se aplica e muito bem para o que aconteceu na URSS. Porém Hayek decidiu dar uma ênfase maior na experiência nazista pois ela era mais próxima na época da realidade do povo inglês (para quem o livro se destinava).

O capítulo 13 fala sobre intelectuais ingleses que defendem idéias estatizantes e o quanto essas idéias se assemelham às idéias socialistas e nazistas

Capítulo 14 – Aborda como a Inglaterra tem se afastado dos seus valores liberais característicos e como esses valores deveriam ser defendidos de peito aberto ao confrontados com ideologias totalitárias. Também fala sobre como um estado agigantado diminui a solidariedade de um povo.

Por fim o capítulo 15 fala sobre algumas limitações de organizações supranacionais e como se deve tomar cuidado para que essas organizações não se tornem também tirânicas para com seus países membro. Bem interessante de se analisar sob a luz do que se tornou a União Europeia nos dias de hoje.

Para concluir posso dizer que é uma obra muito vigorosa e que atinge o que se propõe, que é alertar sobre os perigos de uma sociedade com planejamento central. Não é o meu caso, mas acredito que a leitura atenta desse livro pode acabar com as crenças de muitas pessoas de que “o Estado deveria resolver” inúmeras situações. É preciso esclarecer entretanto que Hayek não propõe o fim do estado e segundo o autor existiriam funções que o mesmo precisa desempenhar. Não ficou muito claro a partir da obra qual seriam todas as atribuições do estado na visão de Hayek porém ele menciona segurança e justiça como sendo atribuições do estado.

Recomendo a leitura desse livro e pessoalmente recomendo que persistam. No começo a leitura talvez vá parecer um pouco árida porém a medida que se evolui no livro as coisas começam a fazer mais sentido e a leitura se torna agradável. Não é a toa que “O Caminho da Servidão” acabou se tornando uma obra muito popular.

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¹ https://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Hayek